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Após PIX, BC mira 'open banking' para personalizar serviços bancários e ampliar competição

Por Redação em 22/11/2020 às 04:36:33

Banco Central prevê que sistema estar√° disponível em outubro de 2021. Objetivo da nova plataforma ser√° permitir que clientes reúnam servi√ßos de v√°rias institui√ß√Ķes em um único local. Após o advento do PIX, sistema que permite transferências e pagamentos de forma quase imediata em tempo integral, o Banco Central segue trilhando o caminho da próxima revolu√ß√£o digital: a implementa√ß√£o do chamado "open banking" no Brasil, com início de todas as funcionalidades previsto para outubro de 2021.

O "open banking" ser√° uma plataforma, desenvolvida pelos participantes do sistema financeiro com regulamenta√ß√£o do governo e supervis√£o do BC, a fim de permitir que os clientes possam compartilhar dados banc√°rios e históricos de transa√ß√£o com bancos e "fintechs" (pequenas empresas de tecnologia em servi√ßos financeiros).

Com essas informa√ß√Ķes, atualmente em posse somente dos bancos com os quais os clientes trabalham, outras institui√ß√Ķes financeiras poder√£o analisar melhor o risco envolvido nas opera√ß√Ķes banc√°rias e oferecer menores taxas de juros para empréstimos, por exemplo, ou um retorno maior para aplica√ß√Ķes financeiras — beneficiando o consumidor.

"O mundo se abre a partir da informa√ß√£o [disponibilizada pelo consumidor]. Os produtos passar√£o a ser mais 'customizados' [personalizados], endere√ßando a demanda do cliente. O 'open banking' est√° como foi a internet h√° 30 anos atr√°s. No início, achavam que ia ser um instrumento de troca de documentos entre duas universidades. Hoje, a internet é tudo na sua vida, social e profissional", avaliou o diretor de Regula√ß√£o do BC, Ot√°vio Damaso, ao G1.

Questionado sobre o possível impacto na redu√ß√£o das taxas de juros cobradas, o diretor do BC afirmou que ainda n√£o tem essa estatística, mas citou o exemplo de aplicativos de transporte, que trouxeram um pre√ßo mais acessível que o servi√ßo de t√°xi, além de facilitar a vida do consumidor.

"Quando se tem muitos carros na pra√ßa, o pre√ßo tende a cair. Quando tem poucos, o pre√ßo tende a aumentar. Ent√£o, s√£o as curvas de oferta e demanda tentando encontrar o seu equilíbrio e isso vai acontecer para todos os produtos e servi√ßos financeiros. Hoje, n√£o acontece porque o seu banco n√£o deixa essa informa√ß√£o fluir, você est√° preso com ele l√°", disse.

Na avalia√ß√£o de Damaso, o "open banking", ao permitir um tr√°fego maior de informa√ß√Ķes dos clientes entre as institui√ß√Ķes financeiras, vai impactar todas opera√ß√Ķes de crédito, assim como outros servi√ßos ofertados.

"Vai ser um negócio estrondoso e, daqui a cinco ou dez anos, a gente vai olhar e pensar: 'N√£o sei como vivia sem o open banking'", declarou.

Open banking promete v√°rios benefícios ao consumidor final

Abertura de dados

Segundo o diretor do BC, um dos principais problemas do sistema financeiro atual, que dificulta a concorrência, é a chamada "assimetria" de informa√ß√Ķes, ou seja, quando um participante de sistema possui mais dados sobre um cliente do que os outros bancos — fenômeno classificado por alguns como uma "falha de mercado".

"O 'open banking', um dos pontos que ele atinge é a assimetria de informa√ß√£o. Hoje, todas essas informa√ß√Ķes est√£o dentro do seu banco. Essa informa√ß√£o, em tese, se o banco trabalhou, ele sabe seu histórico financeiro todo, detalhado, o que consome, como foi sua vida. N√£o deve ter usado t√£o profundamente como deveria. Agora, um terceiro [banco] est√° louco para ter essa informa√ß√£o e te conhecer", explicou.

De acordo com Damaso, a nova plataforma vai permitir que os clientes abram seus dados para outra institui√ß√£o financeira, de forma que ela possa oferecer, por exemplo, um crédito mais barato.

Mais adiante, afirmou, pode surgir uma inovação que possibilitará ao consumidor abrir seus dados para todos os participantes, e promover, assim, um leilão virtual pelo produto buscado.

"Isso também vai ser trabalhado e, provavelmente, v√£o surgir inova√ß√Ķes nesse sentido", disse.

A lógica, explicou o diretor do BC, é que a "informa√ß√£o pertence ao próprio cliente", um princípio que segundo ele, tem predominado em todos segmentos econômicos.

"Ele [cliente banc√°rio] que tem o poder sobre suas informa√ß√Ķes e ele é quem decide [no 'open banking'] se vai compartilhar ou n√£o e por quanto tempo. A qualquer momento, vai poder cancelar, ampliar o conjunto de informa√ß√Ķes ou diminuir. É um instrumento seu", afirmou.

O diretor de Regulação do Banco Central, Otávio Damaso

Divulgação / Banco Central

Banco personalizado

Na avalia√ß√£o do diretor do BC, quando estiver totalmente funcional em outubro de 2021, o "open banking" vai permitir que os consumidores "criem" seu próprio banco, ou seja, que funcione como um banco personalizado.

"O cliente vai poder comprar um CDB em um banco, fazer um seguro em outro, e ter o cheque especial em um terceiro. Tudo isso a partir de uma informa√ß√£o que você vai compartilhar", declarou Damaso.

Com o histórico de produtos comprados, as institui√ß√Ķes financeiras também v√£o poder fazer "ofertas" aos consumidores, a exemplo do que j√° existe no comércio.

"Se você sempre est√° fazendo sua compra no mesmo supermercado, ele j√° sabe quais produtos você gosta de comprar. Ele vai sempre te oferecer promo√ß√Ķes desses produtos, ou de substitutos que ele queira te vender", explicou.

Para pessoas físicas, por exemplo, o "open banking" permitir√° que os clientes contratem de forma simplificada, por meio da plataforma, um crédito mais barato para cobrir o cheque especial por um período reduzido de tempo.

"Às vezes, fica negativo por um, dois, três dias no cheque especial, e n√£o justifica abrir uma linha de crédito em outra institui√ß√£o financeira. O 'open banking' vai permitir que você pré-contrate uma linha de crédito com uma outra institui√ß√£o financeira, a um custo mais baixo. E esse terceiro vai todo dia verificar sua conta, se est√° com saldo ou sem. Se estiver sem saldo, automaticamente deposita o dinheiro. Você, ao invés de ter um fornecedor do cheque especial, que é o seu banco, passou a ter todo o sistema financeiro podendo te oferecer essa linha", disse.

No caso das empresas, ele observou que uma das principais dificuldades atualmente é a organiza√ß√£o financeira, pelo fato de terem conta aberta em v√°rias institui√ß√Ķes — o que est√° relacionado com a din√Ęmica empresarial. Com v√°rias contas, h√° uma dificuldade maior em organizar o fluxo de recebimentos e pagamentos.

"Ela precisa ter um único fluxo de caixa. O 'open banking' vai facilitar o acesso, se a empresa autorizar. Vai padronizar essas informa√ß√Ķes e tornar r√°pido, f√°cil e seguro o acesso. Uma empresa vai poder, a partir de um terceiro provedor, colher essas informa√ß√Ķes e ter seu fluxo de caixa unificado", explicou Damaso.

Baixa renda

O diretor do Banco Central avaliou que, ao contr√°rio do que se possa imaginar inicialmente, essa ferramenta também vai beneficiar a popula√ß√£o mais pobre. "Eu acho que ele é t√£o democr√°tico quanto qualquer outro produto de inform√°tica", disse.

Segundo Damaso, atualmente todos os produtos s√£o ofertados na internet e utiizados por todas as faixas de renda. Ele citou os exemplos de aplicativos de transporte, mecanismos de busca, internet banking e plataformas de comércio eletrônico.

"A tecnologia é um dos principais 'drivers' [veículos] de inclus√£o. Se for fazer pesquisa para 10, 15 anos atr√°s, um dos fatores que inibia a inclus√£o financeira era o medo das pessoas de camada mais simples, mais pobre, de entrar no banco, n√£o conseguir falar com o gerente e n√£o ter o produto oferecido. Hoje, n√£o tem esse risco. É tudo em um site, aplicativo. A pessoa faz e acessa", afirmou.

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Fonte: G1

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