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Maior estudo evolutivo de coronavírus confirma origem do Sars-CoV-2 de morcegos para humanos

Por Deyvid Wilker em 07/05/2021 às 18:54:07

Agora, o maior estudo evolutivo de coronavírus confirmou a origem do Sars-CoV-2 a partir de um coronavírus de morcegos, e n√£o de pangolins, e ainda traz um alerta sobre a import√Ęncia de investigar vírus nesses animais como uma estratégia global de monitoramento de endemias, e n√£o apenas em situa√ß√Ķes de emergência sanit√°ria.

A pesquisa foi conduzida no Centro de Pesquisa em Bioinform√°tica da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte (UNCC), liderada pelo professor Daniel Janies, do mesmo centro, e tem como primeiro autor o brasileiro e bioinformata Denis Jacob Machado, que é também pesquisador de pós-doutorado na UNCC.

O artigo científico foi publicado na última semana na revista Cladistics, a mais renomada para an√°lises evolutivas dos seres vivos.

Muitos dos estudos dos coronavírus até ent√£o focavam em alguns poucos genes comuns entre as diferentes espécies e n√£o incluíam, por exemplo, informa√ß√Ķes determinantes sobre qual o tipo de hospedeiro daquele vírus.

O estudo é inovador, além da amostragem ampla, em apresentar as principais anota√ß√Ķes dos genomas, que é basicamente organizar em partes conhecidas e separ√°veis as diferentes sequências genéticas dos coronavírus.

Para isso, foi implementada uma ferramenta especial para juntar e comparar essas anota√ß√Ķes, desenvolvida pelo bioinformata. “É parecido com decidir qual casa alugar: você compara a localiza√ß√£o de uma com a outra, mas n√£o compara cor de uma com o número de quartos da outra. Localiza√ß√Ķes s√£o compar√°veis; cor e número de quartos s√£o coisas diferentes”, explica Machado.

Foto: Manjunath Kiran / AFP

“Sem genomas anotados, an√°lises evolutivas ficam restritas ou a genomas muito semelhantes entre si, como apartamentos que estejam em um mesmo prédio, ou a certa característica que esses genomas tenham em comum e que seja mais f√°cil comparar, como pre√ßo entre os imóveis na nossa analogia das casas, e com isso podemos deixar passar informa√ß√Ķes importantes.”

Para entender melhor como foi feito o estudo, os estudos de filogenia que buscam entender a história evolutiva de um grupo s√£o feitos com um conjunto de dados (por exemplo, o genoma) de um determinado grupo ou conjunto de organismos (por exemplo, diferentes espécies de felinos). Dificilmente vamos tentar entender a origem e evolu√ß√£o do ser humano comparando nosso genoma com o de cavalos, por exemplo.

Nesse sentido, as pesquisas evolutivas publicadas até ent√£o, que haviam sido aceleradas devido à emergência sanit√°ria, pecaram tanto no número de espécies incluídas quanto no uso de dados fracos, que n√£o conseguiam explicar de maneira suficiente essa história, diz Machado.

“Uma dificuldade inevit√°vel de se estudar a evolu√ß√£o de coronavírus é que pode haver a mistura de genes provenientes de indivíduos diferentes [recombina√ß√£o gênica]. Felizmente, apenas uma parcela do genoma dos coronavírus é afetada por eventos de recombina√ß√£o. Analisando mais genomas em um conjunto, conseguimos identificar esses eventos que causam ruído na an√°lise. É como olhar uma pintura do Monet [Claude Monet, pintor impressionista]. De perto, as pinceladas separadas parecem uma mancha sem contorno; porém, ao se ampliar e olhar o todo, as pinceladas se organizam e criam a imagem”, explica.

A an√°lise feita por Machado e seus colegas, no entanto, incluiu mais de 2.000 genomas únicos de coronavírus de quatro gêneros diferentes da subfamília Orthocoronavirinae: Deltacoronavirus (DeltaCoV) e Gammacoronavirus (GammCoV), típicos de aves, e Alphacoronavirus (AlphaCoV) e Betacoronavirus (BetaCoV), que podem infectar os humanos.

Exemplos de betacoronavírus que infectam os humanos, além do Sars-CoV-2, s√£o o Sars-CoV (respons√°vel pela epidemia da Sars, entre 2002 e 2003) e o Mers-CoV (causador da síndrome respiratória do Oriente Médio), que passaram de morcegos para humanos; HCoV-4408 e HCoV-OC43 (de bovídeos para humanos) e o HCoV-HKU1 (de roedores para humanos). J√° o alfacoronavírus HCoV-NL63 também partiu de morcegos para humanos.

Segundo o biólogo, dentre os coronavírus mais relevantes para a saúde humana, o estudo confirma que os morcegos foram fontes nos casos do Sars-CoV e Sars-CoV-2 e também tiveram papel fundamental na origem do Mers-CoV. “Houve v√°rios eventos de transmiss√£o entre dromed√°rios e humanos quase imediatamente depois da infec√ß√£o desses animais por coronavírus de morcegos”, explica.

O papel de hospedeiros intermedi√°rios na pesquisa também foi avaliado. “Nosso argumento é de que nada indica a necessidade de um hospedeiro intermedi√°rio [para o Sars-CoV-2], pois est√° claro que a infec√ß√£o de outros mamíferos, como civetas [espécie de mustelídeo] e visons, ocorreu depois da infec√ß√£o original em humanos, o que ilustra a capacidade dos coronavírus de migrarem entre mamíferos de espécies diferentes”, diz.

A conclus√£o da pesquisa traz uma mensagem importante: novos eventos de transmiss√£o de coronavírus de animais para humanos devem surgir em um futuro próximo, sem ser possível prever quando ser√°. “É imprescindível investir em pesquisa [de forma] contínua para catalogar e descrever a diversidade de vírus na natureza com potencial para infectar humanos, e isso depende n√£o só de um sistema de vigil√Ęncia mas também de investimento em ciência.”

“Essas pesquisas s√£o de difícil financiamento e frequentemente negligenciadas até que, por exemplo, um novo patógeno surge de uma fonte natural até ent√£o considerada de baixa import√Ęncia. Quando falamos em esfor√ßos globais para monitoramento de doen√ßas emergentes, falamos também em criar pontes que cruzem o abismo entre a pesquisa b√°sica e a pesquisa aplicada.”, afirma.

Fonte: Banda B

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