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Virologista que teria sugerido 'gabinete paralelo' do Ministério da Saúde recebe autorização da USP para morar no Canadá

Por Redação em 09/06/2021 às 22:15:46

Paolo Zanotto, que nega existência de 'gabinete paralelo', teve autorização para lecionar por 2 anos no British Columbia Institute of Technology sem prejuízo dos vencimentos. O virologista Paolo Zanotto exibe mapa de distribuição global do vírus zika durante entrevista coletiva concedida na USP

Rafael Garcia/G1

O virologista Paolo Zanotto, que teria sugerido a formação de um "gabinete paralelo" do Ministério da Saúde, recebeu autorização da diretoria do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) para se afastar por dois anos da faculdade e morar no Canadá.

Zanotto irá atuar como professor visitante no British Columbia Institute of Technology. O afastamento foi aprovado pela maioria dos membros do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) em reunião realizada nesta quarta-feira (9).

O afastamento, segundo a USP, será "sem prejuízo dos vencimentos".

Zanotto confirmou à GloboNews que sugeriu a Bolsonaro a formação de um grupo de especialistas para auxiliar o Ministério da Saúde "de forma independente", mas negou que fosse um "gabinete paralelo" em si, para tratar de coronavírus.

O grupo, diz Zanotto, teria a função de ajudar o governo a "escolher" vacinas a serem usadas na imunização da população brasileira, entre outras medidas. Segundo o médico, o Planalto não acatou a sugestão.

Paolo Zanotto aparece no vídeo de uma reunião no Palácio do Planalto em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e médicos discutem medicamentos ineficazes e lançam dúvidas sobre as vacinas contra a Covid-19. O vídeo foi noticiado pelo site "Metrópoles" e, segundo o portal, a reunião ocorreu em setembro de 2020.

No vídeo, o virologista diz que é necessário "tomar um extremo cuidado" em relação a vacinas no país. Ele também conta que mandou uma carta a Arthur Weintraub, ex-assessor da Presidência da República, na qual teria sugerido a montagem de um grupo, um "shadow cabinet" (algo como "gabinete das sombras") para ajudar o Executivo em temas relacionados a imunizantes.

VÍDEO: Paulo Zanotto fala em dúvidas sobre a vacina em vídeo de reunião com Bolsonaro

Em entrevista à GloboNews, Zanotto declarou que, ao falar em "gabinete da sombra", estava usando uma "figura de expressão".

"Estão confundindo 'shadow cabinet' com 'gabinete paralelo'. [...] Ali é uma figura de expressão, não é um gabinete paralelo. Não era algo para ser feito à revelia, escondido. Muito pelo contrário. Usei da expressão no sentido inglês da palavra. Se cria um comitê de imunologistas e de vacinologistas para auxiliar, de forma independente, o Ministério da Saúde na escolha de vacinas. Ninguém é doido de propor uma coisa fora da lei", disse Zanotto.

Ainda segundo o virologista, o grupo "tecnicamente" não existiu, uma vez que a ideia não foi acolhida pelo governo federal.

"Para ser, de fato, um 'gabinete paralelo', você precisa ter, no mínimo, uma continuidade de atuação e uma montagem dele. Todas as colocações feitas não foram ouvidas", disse Zanotto.

VÍDEO: Imagens reforçam tese sobre gabinete paralelo de Bolsonaro

CPI vê provas de gabinete

Para integrantes da CPI, o vídeo da reunião prova a existência de um gabinete paralelo de assessoramento ao governo. Uma das frentes de investigação da comissão trata justamente da suposta formação de um grupo extraoficial e sem especialização que teria aconselhado o presidente da República a tomar decisões e dar declarações equivocadas sobre a pandemia.

Sobre a CPI, Zanotto declarou que os senadores que a integram estão "tentando empurrar a narrativa deles, que, de fato, existe alguém que operou à revelia do Ministério da Saúde". "Ninguém estava operando à revelia", afirmou.

Camarotti: estrutura do gabinete paralelo fica cada vez mais evidente

Farmácia Popular

Também na entrevista à GloboNews, Zanotto disse que uma das ideias do "gabinete da sombra' era a disponibilização de remédios no programa Farmácia Popular, do Ministério da Saúde, que tem o objetivo de facilitar e baratear o acesso a medicamentos.

Apesar de Zanotto dizer que o governo não deu ouvidos às ideias do grupo, em setembro de 2020, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou a jornalistas que a pasta estava avaliando distribuir na Farmácia Popular o chamado "kit Covid", composto por medicamentos que tiveram a ineficácia contra a doença comprovada, caso da cloroquina.

"Não existe esse gabinete paralelo. Se existisse isso, esse grupo teria conseguido atingir os propósitos, que era, por exemplo, melhorar a qualidade do tratamento das pessoas, disponibilizar fármacos na farmácia popular, evitar que as pessoas fossem tratadas só na hora que elas fossem internadas", afirmou Zanotto.

VÍDEOS: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana

Fonte: G1

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