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Duas doses da vacina da AstraZeneca têm proteção de 93,6% contra mortes por Covid, diz estudo

Por Deyvid Wilker em 22/07/2021 às 19:37:23

Um estudo recente feito com dados de 61.164 moradores do estado de S√£o Paulo com idades entre 60 e 79 anos e que receberam o imunizante AstraZeneca mostra que a vacina oferece alta prote√ß√£o contra casos sintom√°ticos, hospitaliza√ß√Ķes e mortes de Covid-19.

A an√°lise foi feita entre os dias 17 de janeiro e 2 de julho, época de alta circula√ß√£o da variante gama (P.1).

O estudo usou informa√ß√Ķes de indivíduos com doen√ßa respiratória aguda e submetidos ao teste RT-PCR identificados nos bancos de dados de vigil√Ęncia (e-SUS e Sivep-Gripe). A estimativa da efetividade da AstraZeneca foi feita comparando os grupos vacinados e n√£o vacinados com resultado positivo para Covid-19 versus os vacinados e n√£o vacinados que tinham testes negativos.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“A principal mensagem desses resultados é o incremento que temos com o esquema vacinal completo. É muito importante porque sai de cerca de 62% para preven√ß√£o de óbito e vai para 94%. Refor√ßa a ideia que é necess√°rio o esquema vacinal completo para uma excelente prote√ß√£o”, afirma o infectologista da Fiocruz, Julio Croda, que também é professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e membro do Centro de Contingência do Coronavírus do estado de S√£o Paulo. De acordo com a pesquisa, a efic√°cia da vacina da AstraZeneca 28 dias após a primeira dose é de 33,4% contra casos sintom√°ticos, 55,1%, hospitaliza√ß√Ķes e 61,8%, mortes.

Os percentuais tornam-se bem mais robustos 14 dias após a segunda dose: 77,9% contra casos sintom√°ticos, 87,6%, interna√ß√Ķes e 93,6%, mortes.

Croda lembra, porém, que todas as vacinas aprovadas s√£o boas. “Todas protegem contra casos graves, hospitaliza√ß√Ķes e óbitos e qualquer variante, mas n√£o existia esse dado para a gama. É o primeiro estudo de efetividade no Brasil para essa variante.”

Coronavac

Os pesquisadores também apresentaram novos dados de um estudo que avaliou a efic√°cia da Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, diante da alta circula√ß√£o da variante gama.

O estudo foi feito de 17 de janeiro a 29 de abril com 43.774 moradores no estado de S√£o Paulo acima de 70 anos e que receberam a Coronavac.

De acordo com os resultados, 14 dias após a aplica√ß√£o de duas doses a efetividade da vacina foi de 41,6% contra casos sintom√°ticos, de 59% contra hospitaliza√ß√Ķes e 71,4% contra mortes.

Na faixa et√°ria entre 70 a 74 anos, a efic√°cia da Coronavac contra casos sintom√°ticos é de 61,8%, de 80,1% contra hospitaliza√ß√Ķes e de 86% contra mortes.

No entanto, a prote√ß√£o da Coronavac cai na popula√ß√£o com 80 anos ou mais – 28% contra casos assintom√°ticos, 43,4% contra hospitaliza√ß√Ķes e 49,9% contra mortes.

“Os dados s√£o melhores que os da vacina da gripe, que previne 40% de mortes para acima de 80 anos”, ressalta Croda.

Croda ressalta que n√£o se pode comparar a AstraZeneca com a Coronavac. “Apesar da diferen√ßa nas estimativas, n√£o h√° diferen√ßa entre as vacinas”, afirma.

Para o pesquisador ainda n√£o h√° dados suficientes que apontem para a necessidade da revacina√ß√£o. “Teremos que ficar de olho em duas popula√ß√Ķes: idosos e imunossuprimidos. E talvez profissionais de saúde. Pode ser que no idoso seja necess√°rio [fazer a revacina√ß√£o] porque ele responde menos ao longo do tempo. Os dados que temos até o momento apontam oito meses [de prote√ß√£o] para a popula√ß√£o em geral. Em um ano ser√° que ela se manter√°? N√£o temos como afirmar agora.”

Fonte: Banda B

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