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ONU deve decidir amanhã se exigirá vacinação para Assembleia-Geral, o que poderia barrar Bolsonaro

Por Redação em 15/09/2021 às 19:07:27

Tradicionalmente, presidente brasileiro é o primeiro a discursar entre os líderes de Estado no mais importante evento multilateral do ano. Bolsonaro, no entanto, afirma n√£o estar vacinado, o que pode ser impeditivo Bolsonaro na grava√ß√£o de seu discurso à Assembleia Geral da ONU em setembro de 2020; fato de presidente n√£o ter se vacinado contra Covid-19 pode impedir sua participa√ß√£o presencial no evento deste ano

Presidência da República

Os Estados-membros da Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas (ONU) devem deliberar nesta quinta-feira (16) se exigir√£o que todos os presentes à Assembleia-Geral do órg√£o, na próxima semana, apresentem comprovantes de vacina√ß√£o contra a Covid-19 para serem admitidos ao prédio da ONU, em Nova York.

Caso decidam pela obrigatoriedade da imuniza√ß√£o, isso poderia barrar a participa√ß√£o do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que oficialmente n√£o est√° vacinado. Tradicionalmente, o chefe de Estado brasileiro faz o primeiro discurso entre os líderes no evento, marcado para o próximo dia 21.

Há dois dias, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a repetir que não havia tomado imunizantes contra a doença, que já matou 580 mil brasileiros. Ele citou um suposto resultado do exame IGG, que mede a quantidade de anticorpos para uma dada doença no corpo, como justificativa para não ter se vacinado.

"Eu n√£o tomei vacina, estou com 991 (nível do IGG). Eu acho que eu peguei de novo (o vírus) e nem fiquei sabendo", afirmou Bolsonaro.

Inicialmente, a Assembleia-Geral da ONU cogitou aceitar que autoridades de alto nível apenas declarassem na entrada n√£o estar com sintomas nem ter estado em contato próximo com pessoas infectadas para que fossem admitidas no evento.

Porém, a cidade de Nova York, que abriga a sede da ONU, pediu que a organiza√ß√£o seguisse as mesmas regras vigentes para os habitantes da cidade: todos os maiores de 12 anos precisam apresentar comprova√ß√£o de vacina para frequentar locais públicos fechados, como centros de conven√ß√£o, restaurantes ou hotéis.

Na ter√ßa-feira (14), os Estados-membros receberam uma carta assinada por Abdulla Shahid, político das Maldivas que assumiu a presidência da Assembleia-Geral, na qual ele afirma apoiar que todos sejam obrigados a comprovar que tomaram imunizantes para participar do evento.

Nesta quarta, o porta-voz da Secretaria-Geral da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que "trabalharemos com o gabinete do Presidente (Abdulla Shahid) e os Estados-Membros sobre como implementar as decis√Ķes tomadas pelos Estados-Membros no que diz respeito (à vacina√ß√£o) dos delegados".

"Da parte da Secretaria-Geral da ONU, todos os funcion√°rios que atendem ao público devem ser vacinados. A quest√£o é que se trata de uma organiza√ß√£o dirigida por Estados-Membros. O Secret√°rio-Geral (António Guterres) n√£o tem autoridade para for√ßar os delegados dos países de uma forma ou de outra".

No Itamaraty existe ceticismo sobre a possibilidade de que os países tornem obrigatório que os chefes de Estado apresentem certificados de vacina para participar da Assembleia-Geral.

Hospedagem em dúvida

Além da participa√ß√£o no evento em si, h√° outras dúvidas. O hotel onde tanto Bolsonaro quanto parte da comitiva brasileira ficar√£o hospedados, por exemplo, informa em sua p√°gina na internet que segue a determina√ß√£o da cidade de Nova York de exigir certificado vacinal para qualquer hóspede acima de 12 anos.

A p√°gina também informa onde o hóspede pode obter uma dose de gra√ßa e qual tipo de passaporte de vacina é aceito pelo estabelecimento.

A BBC News Brasil consultou a Presidência da República sobre se o presidente segue sem ter sido vacinado contra Covid-19 e se houve alguma negocia√ß√£o de exce√ß√£o para a regra do certificado no hotel em Nova York, mas n√£o recebeu resposta até a publica√ß√£o desta reportagem.

Durante o ver√£o do hemisfério Norte, Nova York voltou a experimentar um aumento do número de casos de Covid-19 na cidade, resultado da grande circula√ß√£o da variante delta. Atualmente com 60% da popula√ß√£o completamente vacinada e média móvel de cerca de 1600 novos casos por dia, a cidade luta para controlar a epidemia e impedir que um novo surto force o fechamento de escolas e comércio novamente.

Por isso mesmo, a cidade está oferecendo vacinação gratuita a todo e qualquer estrangeiro que vá participar da Assembleia-Geral da ONU.

Em meados de agosto, o governo dos Estados Unidos, que vem tentando fortalecer os órg√£os de rela√ß√Ķes multilaterais e demonstrar protagonismo nesses espa√ßos, expressou preocupa√ß√£o com os impactos sanit√°rios da realiza√ß√£o do evento em Nova York.

"Precisamos de sua ajuda para evitar que a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU seja um evento super-disseminador (do novo coronavírus)", escreveu a embaixadora dos Estados Unidos nas Na√ß√Ķes Unidas, Linda Thomas-Greenfield, em uma carta a seus 193 colegas. Ela prosseguiu:

"Os chefes de delega√ß√£o devem considerar a entrega de suas declara√ß√Ķes ao Debate Geral da Assembleia Geral da ONU por vídeo. Se as delega√ß√Ķes optarem por viajar para Nova York, solicitamos que venham com o número mínimo de viajantes necess√°rio", disse ela.

Os líderes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, far√£o participa√ß√£o remota. J√° o presidente Bolsonaro deve chegar a Nova York no próximo domingo, dia 19.

Fonte: G1

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