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Talibã ordena que apresentadoras de TV cubram o rosto

Por Cidade em Foco.net em 19/05/2022 às 16:28:00

As apresentadoras podem usar uma máscara facial médica, como as utilizadas durante a pandemia de Covid-19, para cobrir o rosto. Afeganistão: entenda os riscos para as mulheres sob o regime talibã

Grupo fundamentalista islâmico impôs às redes de televisão do Afeganistão que apenas os olhos das mulheres fiquem visíveis. Regime diz que ordem é "final e inegociável".O grupo fundamentalista islâmico Talibã informou nesta quinta-feira (19) que determinou que as apresentadoras de programas televisivos do Afeganistão cubram seus rostos quando estiveram no ar, em mais uma ofensiva do regime religioso totalitário contra os direitos das mulheres.

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"Ontem [quarta-feira] nos reunimos com autoridades da mídia. Elas aceitaram nosso conselho com muita satisfação", disse Akif Mahajar, porta-voz do Ministério do Vício e Virtude.

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Mahajar disse que as apresentadoras podem usar uma máscara facial médica, como as utilizadas durante a pandemia de Covid-19, para cobrir o rosto. A regra passar a valer a partir de domingo, mas algumas emissoras já estão cumprindo a ordem.

Mulheres com burca em protesto em apoio ao regime talibã em frente à embaixada dos EUA em Cabul em 26 de janeiro de 2022

Wakil KOHSAR / AFP

Segundo a rede ToloNews, as autoridades do Talibã informaram a todas as emissoras de televisão do Afeganistão que a nova ordem é "final e inegociável". Um produtor de televisão disse que isso significa que "apenas os olhos das apresentadoras podem ficar visíveis".

Uma famosa apresentadora da Tolo, Yalda Ali, postou nas redes sociais um vídeo em seu camarim, colocando a máscara, com a legenda: "uma mulher sendo apagada, por ordem do Ministério do Vício e Virtude". Depois, no Instagram, ela compartilhou outro vídeo, dela no ar, já usando a máscara cirúrgica, ao apresentar o programa.

Imagens de outras mulheres âncoras e apresentadoras com máscaras médicas também circulam nas redes sociais nesta quinta-feira.

Em março, o Talibã baniu todos os meios de comunicação estrangeiros, incluindo a BBC e a Deutsche Welle, já que as autoridades não conseguiram regular o conteúdo transmitido, incluindo as roupas dos repórteres, disse um funcionário do Talibã.

Durante ato pró-talibã, em frente à Universidade Shaheed Rabbani, em Cabul, mulheres seguram cartazes e faixas – "nós não queremos coeducação", diz um deles.

Aamir Qureshi

Cada vez menos direitos

A nova medida ocorre poucos dias após o Talibã ordenar a volta da burca de corpo inteiro para mulheres em público, em um retorno a uma política do antigo regime de linha dura dos anos 1990. Agora, não cobrir o rosto fora de casa pode resultar no encarceramento ou demissão de empregos públicos do pai ou parente mais próximo do sexo masculino. Além disso, segundo decreto, as mulheres que não tiverem trabalho importante fora "é melhor ficarem em casa".

A maioria das mulheres afegãs usa lenço na cabeça por motivos religiosos, mas muitas em áreas urbanas, como Cabul, não tem por hábito cobrir o rosto todo. Durante o último governo talibã, de 1996 a 2001, era obrigatório que as mulheres usassem a burca azul.

Quando o Talibã reassumiu o poder, em agosto de 2021, após a retirada das tropas da Otan, os fundamentalistas prometeram não reinstaurar as regras repressivas de seu regime anterior. Nos últimos nove meses, contudo, impôs severas restrições à mídia e reprimiu os direitos humanos, sobretudo das mulheres, no Afeganistão,

Em março, os talibãs proibiram o funcionamento das escolas secundárias femininas. O governo também restringiu as viagens sem acompanhamento masculino, além de proibir que homens e mulheres frequentem parques públicos nos mesmos horários.

A nova onda de repressão despertou indignação da comunidade internacional, levando os EUA a cancelarem encontros programados com o objetivo de aliviar a crise financeira afegã. Desde a retomada do poder pelo Talibã, Washington e outros governos cortaram a ajuda ao desenvolvimento para o Afeganistão e impuseram sanções rigorosas ao sistema bancário, levando o país cada vez mais para a miséria econômica.

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Fonte: G1

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